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MERCADO x PARLAMENTO
"O comércio, a indústria e a troca encontrarão seu nível por si mesmos, e não poderão ser atrapalhados por medidas artificiais, que, ao perturbar a operação espontânea deles, impedem seus efeitos felizes", declarava em 1796 o chefe do governo, William Pitt, ao parlamento. Antes e depois deles, importantes economistas ingleses, como Adam Smith (estudo sobre a origem de riquezas das nações, 1776) e David Ricardo (princípios da economia política e tributação, 1817), defenderam os mesmos princípios: liberdade econômica para produtores e consumidores, o mercado como único regulador dos preços segundo a relação entre a oferta e a procura, a atuação do Estado limitada a decidir conflitos e cuidar das tarefas administrativas.
Para a burguesia inglesa, essas idéias soavam como música. O liberalismo econômico e o livre cambismo expressavam claramente sua visão da organização da economia capitalista industrial (cada um aplica seu dinheiro, seu capital, no setor de mercado que mais lhe convém) e também seus interesses de classe (liberdade para fixar salários e jornadas de trabalho, empregar e demitir, produzir vender, importar e exportar, etc.)
Contudo, havia obstáculos a vencer, a antiga nobreza proprietária e as velhas companhias mercantilistas coloniais ainda ditavam as regras. Mantinham seus privilégios econômicos, sociais e fiscais através de leis aprovadas pelo Parlamento, como as leis do trigo, em 1815, que impediam a livre importação de cereais.
Com seu caráter liberal, a reforma eleitoral de 1832, porém, garantiu à burguesia industrial e à classe média maior controle sobre o Parlamento. Ampliada a reforma a Câmara dos Comuns (eleita) impôs-se à Câmara dos Lordes (nomeada), tornando-se a base de sustentação do governo de maioria parlamentar. Em 1847, depois de longa batalha política dentro e fora do Parlamento, caíram as Leis do Trigo. Triunfavam a burguesia e o liberalismo econômico, ajustava-se a ordem política e econômica aos interesses do capital industrial.