Revolução Industrial

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CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS PARA OS TRABALHADORES

 

"A revolução Industrial que se iniciou na Inglaterra causou uma série de transformações políticas, econômicas e sociais. O texto abaixo é um relato das conseqüências sociais da revolução, em especial para com os trabalhadores.

 

Essa revolução causa mudanças de espécies diversas. De um lado, o trabalho humano, a relação do homem com seu trabalho foram profundamente afetados. Nem sempre, como uma versão idealizada faz pensar, há um alívio no sofrimento dos homens. Num primeiro tempo, no século XIX, o trabalho industrial é mais penoso do que antes.

A revolução industrial modifica também as relações dos homens entre si. As máquinas, com efeito, introduzem nas estruturas tradicionais a transformação do mapa da indústria, que agora se reagrupa – ou se desenvolve – em torno das fontes de energia ou das matérias-primas, perto das cidades, porque necessita de uma mão-de-obra numerosa. A concentração geográfica e humana precipita a conjunção entre o fenômeno urbano e a atividade propriamente industrial.

Essa mão-de-obra, em geral, vem dos campos. Aqui se juntam dois fenômenos, que muitas vezes são estudados em separado: o crescimento da indústria, com a concentração da mão-de-obra em torno das manufaturas, das fábricas, das minas, e o êxodo rural que, progressivamente, esvazia os campos das populações que os congestionavam.

Esses operários de origem rural, que vão formar os batalhões da nova indústria, que enchem as manufaturas, as oficinas, não são contudo os herdeiros diretos dos compagnons medievais ou dos artesões das corporações: eles constituem uma classe inteiramente nova, uma realidade social original, mesmo se nem todos os seus contemporâneos tiveram consciência exata do fenômeno. (...)

Ao mesmo tempo em que surge uma nova classe, as relações entre grupos se modificam pouco a pouco e, como por círculos concêntricos, os efeitos diretos ou induzidos, da industrialização vão se ampliando.

Como o crescimento das unidades industriais supõe a aplicação de capitais, vemos também surgir uma categoria relativamente nova, a dos chefes da indústria, a dos empresários, que dispõem de capitais ou fazem empréstimos. (...)

(...) A dissociação entre esses dois grupos se acentua e ganha todos os aspectos da vida social, porque não é apenas dentro da fábrica que eles se diferenciam, mas ainda pelo acesso à instrução, pela participação na vida política, pelo hábitat. (...)"

(REDMOND, René. O século XIX, 1815-1914. São Paulo, Cultrix, 1981)

 

"Em função das condições a que ficaram submetidos, os operários iniciaram um processo de reação. Inicialmente, denunciando-as como ilegais e imorais e, em seguida passaram a quebrar as máquinas, era o movimento Ludita (1811-12). A partir de 1824, as associações de trabalhadores deixaram de ser ilegais e passaram a representar a forma de luta da classe operária, era o início do movimento Cartista (1837-1848), movimento popular que reivindicava reformas nas condições de trabalho, particurlamente na limitação da jornada de trabalho, regulamentação do trabalho feminino, extinção do trabalho infantil, repouso semanal e salário mínimo ; e direitos políticos: estabelecimento do sufrágio universal e extinção da exigência de propriedade para integrar o parlamento. Na segunda metade do século XIX, as Trade-Unions foram substituidas pelos sindicatos, forma de organização dos trabalhadores com um considerável nível de ideologização, pois o século XIX, foi um período muito fértil na produção de ideologias anti-liberais que, serviram a luta da classe operária, seja para obtenção de conquistas na relação com o capitalismo, seja na organização do movimento revolucionário cuja meta era destruir a ordem capitalista.

Como já foi dito anteriormente, o século XIX viu surgir, na Europa, uma série de correntes ideológicas que, propunham reformulações sociais e a construção de uma sociedade mais justa, entre eles os teóricos socialistas e os anarquistas." WMP